domingo, 30 de janeiro de 2011

Capítulo 1 - Os planos fantásticos

- Liberdade, liberdade, liberdade! - eu cantarolei, descendo as escadas da frente da escola, dois degraus de cada vez.

Era o último dia de aula - agora estávamos oficialmente nas férias de verão.

- Hey Alie, parece que você está saindo da prisão! Nós nem terminamos o ensino médio... E o verão é sempre um tédio. - Charlotte riu.

Esse é o espírito da Cher. Bom humor e otimismo são suas palavras favoritas. E sarcasmo é a minha.

- Não esse verão. - observou David, com um sorriso que faria qualquer garota derreter. - O tédio está absolutamente proibido nessas férias. Tenho planos fantásticos.

Dave fala desses 'planos fantásticos' a mais de um mês. Até agora, ninguém sabe o que é, e ele se recusa a dizer até o que chama de momento especial. Eu emburrei.

- Se não vai contar o que está planejando, é melhor nem começar.
- Não se preocupe, vocês vão saber...
- Num momento especial. - Cher completou, suspirando. - Já ouvi isso em algum lugar. Você não, Alie?

Eu confirmei com a cabeça, e nós duas fitamos David como se pudessemos fazê-lo cair morto. O garoto ergueu as mãos em sinal de rendição.

- Calma, vocês nem me deixam falar! Vou contar hoje.

Charlotte e eu nos entreolhamos.

- Então fale logo! - quase gritamos de excitação.

Dave riu, adorando a ideia de nos deixar curiosas.

- Agora não.

Nós o fuzilamos com os olhos outra vez. Ele recuou alguns passos.

- Vou contar hoje a noite, okay? Na minha casa, as sete e meia? - sugeriu, lançando-nos um olhar suplicante.

Charlotte cedeu - ela sempre cedia.

- Sete e meia. Nem um segundo a mais.
- Sim, e não quero ouvir nem um 'oi' antes de saber que planos são esses! - concordei.

David abriu um sorriso enorme, passando os braços ao redor de nossos ombros, com seu jeito típico de garanhão.

- É por isso que eu amo vocês, meninas. É por isso que eu amo vocês.

domingo, 16 de janeiro de 2011

Prólogo

Eu não acredito que estou realmente dizendo isso, mas nós deveríamos ter ouvido a Charlotte quando ela disse para não entrarmos nessa casa. Mas é claro que ninguém ouve a Cher, mesmo ela realmente tendo juízo.

Não consigo me lembrar de quem foi essa ideia estúpida, mas agora não faz a menor diferença. Agora temos que pensar em como sair daqui - vivos, de preferência. E isso parece ser uma missão impossível.

Meus amigos não sabem disso, mas tenho menos chances de escapar que eles. Eu queria dizer que estão me obrigando a ficar, mas esse não é o único motivo que me mantem presa aqui. Na verdade, acho que isso é realmente o de menos. O fato é que eu quero ficar.

Eu sei, eu sei, isso é completamente idiota. Não estou pensando direito, pra ser sincera, acho que meu cérebro parou de funcionar no momento em que coloquei os pés nesse chão úmido e ridicularmente frio.

Estou tentando adiar chegar a essa conclusão, mas parece que a culpa de tudo isso é realmente minha e do meu coração tolo e instável. Eu devia ter ido embora quando soube no que estava me metendo. Pior. Quando soube no que estava metendo meus amigos.

Mas existem alguns caminho que não têm volta. Acho que esse é um deles. Eu escolhi ficar - escolhi expôr todos a um perigo mortal, por medo de me separar de um monstro. E se quer saber, isso faz de mim um monstro também.